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terça-feira, 30 de março de 2010

Só mais um...


O vento toca no rosto,
Os olhos se fecham,
O sorriso se abre.

As palavras soltas,
Os sentidos aflorados,
A pele á espera.


" ...A única verdade é que vivo,
sinceramente eu vivo,quem eu sou ?
bem, isso já é demais ..."
(Clarice Lispector)

terça-feira, 23 de março de 2010

Um instante......


Um segundo, Um minuto,
Uma hora, 24.
A ordem crescente que regride,
que desenvolve e reprime.

Um segundo que salva uma vida ,
Um minuto que se perde outra,
Uma hora que se ama,
24 que se chora.

Um segundo que acorda ,
Um minuto que despreza,
24 que se perde.

24,que envolve as medidas,
Um segundo, um sorriso,
Um minuto, um alívio.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Devaneio...


Pensamentos soltos,
Cai uma lágrima,
Caem duas,
Ao redor muitas coisas acontecem,
Um sorriso, um abraço,
Um desejo de enxergar a Luz,
Luz essa que se apagou,
Com um pingo de água,
Cai uma Lágrima,
Caem duas.

A cegueira momentânea,
do qual o momento foi longo,
E suficiente para se lançar,
Em um buraco negro que parece
não ter fim.
Cai uma Lágrima,
Caem duas.

No fundo, o escuro reflete
a intensidade e a verdade
e impulsiona para a superficie
para que o ciclo se reinicie,
cai uma lágrima.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Infinito...



Infinito que possui infinitas definições ,
Da qual, não se mede , cálcula , ou alcança.
E apenas mais uma será dita.
Infinito que cada um traz dentro de si , de formas diferentes, porque há vários infinitos dentro de mim.
Infinito que cálcula o tempo , do qual revela a hora certa para
cada passo, porém seu resultado não importa, pois o momento certo é esse.
Infininto que mede o sentimento, que atrapalha as idéias , pois não há como medir um sentimento, quando ele nem sequer foi revelado.
Infinito que se inicia com um admirar de uma cena, e se prolonga por um filme.
Infinito que se tem cheiro , quando não há explicação,
Infinito que se acalma, atrapalha, chora.
Mas que não deixa de ser infinito, pois
infinito é viver intensamente,
até o finito.

" ...Eis o melhor e o pior de mim , no meu infinito particular
em alguns instantes,sou pequenina e também gigante..." (Marisa Monte)

terça-feira, 9 de março de 2010

Voar...



Um pássaro criado dentro do seu ninho, desde o nascimento ,fica maravilhado quando através de uma fresta consegue enxergar o mundo que está lá fora.
A partir deste momento decide que quer buscar o desconhecido, mesmo que para isso precise ultrapassar algumas barreiras.
O que o pequeno pássaro não sabia ,é que a argola e a corrente em suas patas não era um simples presente que tinha ganhado e que a proteção que lhes daria algum dia também lhe incomodaria.
Os dias passavam, e cada vez que o pássaro chegava até a porta de seu ninho era advertido a voltar e ficar quieto em seu canto.
Revoltado com a situaçao, toma a iniciativa de aprender a voar sozinho, chega novamente até a porta de seu ninho, olha para baixo e se depara com um abismo, coloca uma pata para fora , logo uma asa, sente a brisa fresca que o contagia, assim ele dá seu primeiro salto.
Salto esse que se não fosse a corrente em suas patas , não teria sobrevivido,encontrou seu apoio, poderia tentar mais vezes e a corrente não permitiria que ele caisse no abismo.
Logo, ele queria arriscar mais e assim a corrente em suas patas começou a incomodar , trataram de aumentar a corrente para que o pequeno pássaro tivesse mais espaço.
O que por muito tempo foi o suficiente para que ele obtivesse vários tipos de conhecimento, mesmo não saindo da mesma árvore que estava seu ninho.
Mas o pequeno pássaro não tinha realizado ainda a sua busca , estar somente na sua árvore é muito pouco.
E mais uma vez sua corrente é aumentada, na medida que ele voa e conheçe novas árvores, pássaros, e tudo que o mundo podia lhe oferecer.
Sua busca foi suprida momentâneamente , pois o pássaro sai para seu voo, mas tem um limite, em que a corrente estica e o faz voltar ao seu ninho, do qual fica preso.
O voar não é simples , pois não existe voo sozinho , sempre há uma corrente, um ninho, um mundo , vários pássaros.

quinta-feira, 4 de março de 2010


AUSÊNCIA

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
(Carlos Drummond de Andrade)